Dois Rios, dois morros

A minha idéia inicial, aquela que deu um estalo na cabeça para fazer o blog, foi perceber como falta informação sobre o Rio de Janeiro que não sai na capas das revistas e nas emissoras de TV. E eu não poderia começar de forma diferente. É nítido que existem dois Rios de Janeiro, sempre bati nessa tecla. Mesmo quando ainda não morava aqui (sou maranhense e me mudei há quase três anos), e vinha passar férias, já percebia essa diferença gritante de um lado da cidade se manter mais ao sol que o outro. Claro, essa característica não é exclusividade da capital carioca. Acaba que toda cidade funciona assim. É o modus operandis do capitalismo. E eu sei que o olhar do turista é diferente, mas me assustei quando passei a conhecer mais coisas que os próprios “cariocas da gema”. Meu objetivo é tentar quebrar um pouco essa barreira. Fazer com que as pessoas circulem e conheçam os outros “Rios” que existem por aqui. Há muito para se ver e sei que não estou nem na metade. E para você começar a “se aventurar” por aí, escolhi dois destinos que estão localizado em áreas bem centrais da cidade e de fácil acesso. Sugiro que malhe a panturrilha e encare algumas ladeiras pois o resultado final é recompensador. Morro nº1: Santa Marta Tem gente que fala Santa, tem gente que briga e diz que é Dona, não importa, as duas formas estão corretas, é só uma questão pessoal se você acredita em santo ou não. O primeiro morro a receber a Unidade de Polícia Pacificadora na cidade já andou muito pela mídia, foi palco do clipe do Rei do pop e cenário de best-seller. Possui um plano inclinado (um elevador sobre trilhos) desde 2008 e uma intervenção urbana em algumas fachadas, resultado do projeto “Favela Painting” de dois artistas holandeses (um deles filho do famoso arquiteto Rem Koolhaas). Santa Marta tem muita história pra contar e uma vista “privilegiada” para encantar. Localizada no meio do bairro Botafogo, possui um mirante com uma vista de tirar fôlego. Lá de cima, ninguém ousa duvidar da existência de santo nenhum. O roteiro que eu fiz e recomendo : Embarque no plano inclinado e desça na terceira estação, siga reto até a segunda escadaria à esquerda e encontrará o famoso Bar do Zequinha, aí é só se deliciar com o frango à passarinho, prato principal da casa que já recebeu prêmio da Veja Rio. O prato é farto, serve duas pessoas tranquilo e custa (até abril de 2015) apenas 35 reais! Acabei chegando com tanta fome que deixei a visita ao mirante para o final, mas recomendo que faça o inverso. Além dessa sugestão, na quarta estação tem a estátua do Michael Jackson para quem quiser tirar foto e a quadra da comunidade é famosa por promover festas e feijoadas. O que não falta é opção para frequentar esse canto do Rio que tem tanto a nos ensinar.

Morro nª 2: Chapéu Mangueira Confesso que só tive conhecimento dessa comunidade devido à faculdade. E por mais que se encontre dentro do tradicional bairro do Leme, é preciso “mergulhar” por suas ruas para descobrir as jóias raras que esse morro esconde. Chapéu Mangueira é vizinha do mais novo cenário da Globo, a Babilônia. E possui esse nome graças a uma fábrica de chapéus que nunca chegou a existir. Sua propaganda foi tanta que os primeiros moradores que se instalaram ali tinham esperanças de conseguir a tão sonhada carteira de trabalho com o novo empreendimento. Recomendo que reserve um sábado para tomar ar e subir a ladeira Ary Barroso, virar á direita da quadra da comunidade e conhecer o Bar do David, que tem um cardápio sensacional, como a feijoada  de frutos do mar (com feijão-branco, polvo, lula, peixe, camarão e mexilhão) e as caipirinhas de paçoca ou ovomaltine, digno de vários prêmios (e fazendo jus aos preços modestos dos morros). Como a localização do bar fica no começo do morro, ele não possui uma vista “escandalosa” como esses locais sugerem, mas pode apostar, você não vai sentir a menor falta. Além do Bar do Davi, o morro ainda conta com o premiado Bar do Alto (que exige ainda mais preparo físico, já que se encontra no topo do morro), várias trilhas ecológicas com vista para o Pão de Açúcar e a praia de Copabana e uma galeria de arte recém inaugurada no morro vizinho, Babilônia. Então, prontos para dar uma mudada no roteiro de fim de semana e fugir da rota Copacabana – Ipanema – Leblon? Tenho certeza que, ao descer essas ladeiras, seu olhar será outro.

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